O novo luxo pós COVID-19

A quarentena, tomada como prevenção da disseminação do COVID-19, provoca vários efeitos psicológicos e comportamentais nas pessoas. Estamos fechados em casa, sem poder sair, sem respirar um ar diferente, sem poder abraçar um amigo e sem saber quando isso tudo vai passar… chega a ser, para muita gente, desesperador!

Notícias tristes, questões conflitantes e a sensação de impotência predominam no nosso dia a dia. Isso tudo gera um notável desconforto e, também, algumas reflexões: quais são as coisas que, de fato, importam? O que estamos fazendo e por quê? O que consumimos? Com quem gastamos nosso valioso tempo? :s

Neste cenário, o valor da solidariedade é evidente. Existe uma postura de humildade e discrição imposta pela crise, em respeito aos demais. O que resulta numa mudança de comportamento, quando se tem em perspectiva os efeitos do novo coronavírus na vida das pessoas. Isso impacta diretamente o perfil do consumidor que emergirá desta crise, tanto por questões econômicas, quanto por emocionais e sociais, viu?

Isso é percebido, por exemplo, nas redes sociais! Os seguidores, que consomem os conteúdos produzidos pelos influencers, estão cada vez mais críticos. Com a cultura do “cancelamento” em alta, posts de ostentação e indiferença frente à pandemia sofrem fortes críticas e a busca por conteúdos ligados à saúde mental, bem estar, solidariedade e espiritualidade é um movimento crescente.

Com toda essa mudança de postura, muitos mercados enfrentarão grandes desafios para se reinventar e atender este novo perfil consumidor: o consumidor pós-covid. Existe isso, produção? Pois é…

Sobre os impactos no mercado de luxo, o Instituto Altagamma fez uma pesquisa, em fevereiro de 2020, que indica uma possível queda nas vendas entre 30 e 40 bilhões de euros, resultante da pandemia do COVID-19, levando a indústria do luxo a níveis nunca vistos desde 2015 :/

As grandes marcas já sentiram os primeiros impactos negativos quando o novo coronavírus se espalhou pela China, já que os chineses representaram 90% do crescimento global do mercado de luxo em 2019. Uau!!!

De acordo com uma pesquisa recente do Consumer Search Group, uma em cada cinco pessoas que vivem na China planeja gastar menos em produtos de luxo em 2020. E pasmem: segundo a Bain & Company, os consumidores chineses representam cerca de um terço do consumo mundial em luxo! $$$ Contando seus gastos dentro e fora do país, isso é mais do que qualquer outra nacionalidade :o

Além da queda do poder de compra, decorrente da crise econômica do COVID-19, outro fator que pode impactar negativamente o mercado de luxo tradicional é o movimento de conscientização social que falamos antes. Assim como no caso das redes sociais, o elemento da ostentação, um dos pilares que sustentam esta indústria, começa a ser revisto e sua importância, reavaliada. As pessoas estão há dias encarando e repensando o próprio armário. Avaliando as roupas que usam, as que estão guardadas no fundo e, principalmente, a quantidade e o valor dessas peças. Será que precisamos de tudo isso?

Dessa forma, o mercado de luxo deve repensar o significado e valor da ostentação para engajar de forma mais autêntica e profunda - lembra que falamos sobre criatividade no artigo anterior? Olha ela aqui de novo!!! As equipes de criação têm, pela frente, o grande desafio de desenvolver produtos que trazem uma lógica de consumo mais consciente e responsável, que incluem, por exemplo, rastrear quem está por trás da produção.

No entanto, dentro de um cenário de crise global, devemos levar em conta as diferenças culturais. Neste sentido, nos chama a atenção a notícia de que a loja da Hermés na cidade de Guangzhou, na China, vendeu 2,7 milhões de dólares no dia da reabertura do comércio local pós lockdown...

Isso faz mais sentido quando pensamos que, quando a China abriu as fronteiras comerciais para o mundo na década de 80, houve um movimento chamado revenge buying (compra de vingança, em tradução livre). Ele expressava o comportamento de pessoas que não tiveram acesso aos itens de luxo com prestígio ocidental por anos e quiseram “tirar o atraso”, sabe?! Esse fenômeno moldou o perfil de consumo dos chineses e tem reflexos até os dias atuais.

Já os europeus, em razão da cultura de escassez dos períodos pós-guerra, devem entrar numa fase de maior austeridade. Os Estados Unidos, que já enfrentaram crises financeiras importantes, como as de 1929 e 2008, provavelmente seguirão pelo mesmo caminho, segundo Carlos Ferreirinha, fundador da MCF Consultoria, especializada em mercado de luxo.

Mas de que forma esse movimento de consumidores mais conscientes e socialmente engajados vai impactar efetivamente as grandes marcas de luxo?

De acordo com Fernanda Semler, especialista em pós-luxo, que, em oposição ao luxo tradicional, valoriza fatores como experiências, bem estar e produtos naturais, o luxo tradicional não se desconectará de seus vícios inerentes, uma vez que é dirigido a quem precisa do aval de uma grife para sentir validado.

Enquanto houver classes emergentes, elites com pouca preocupação de cultura e países inteiros passando pela fase de aquisição de identidade de luxo (Rússia, China, elites da África e do Brasil), haverá mercado suficiente para o luxo tradicional ;)

Mas não há dúvida de que a pandemia deu início a uma reflexão. Os consumidores do luxo clássico passaram a pensar mais no coletivo, e valores como empatia, amor e simplicidade ganharam uma nova dimensão <3 Dessa forma, pode-se dizer que a pandemia está direcionando os consumidores do luxo tradicional ao pós-luxo, se distanciando da cultura de ostentação em prol de uma abordagem mais direcionada ao coletivo. Será mesmo? Fingers crossed!

O que você acha? Um cliente fiel deixará de frequentar as lojas e de consumir os seus produtos luxuosos? Vai aderir ao movimento de pós-luxo, em que se substitui vaidade e modismos por experiências, produtos e serviços autênticos? Se sim, as marcas, agora mais do que nunca, precisam ter o compromisso real com a veracidade, não fazendo uso de aparências e ostentações para emprestarem validação de riqueza, concorda? Será que elas estão preparadas para isso? Fica aí o questionamento…

Fonte:

https://claudia.abril.com.br/estilo-de-vida/como-vao-mudar-os-nossos-habitos-de-consumo-pos-pandemia/

https://www.ccfb.com.br/noticias/o-impacto-do-coronavirus-no-mercado-de-luxo/

https://www.revistalofficiel.com.br/cultura/qual-sera-o-futuro-do-mercado-de-luxo

https://zmagazine.com.br/a-industria-do-luxo-pos-covid-19/

https://www.agazeta.com.br/colunas/renata-rasseli/consumidor-deve-ostentar-menos-diz-especialista-sobre-o-luxo-pos-covid-0520

https://www.meioemensagem.com.br/home/marketing/2020/04/07/cinco-tendencias-de-consumo-que-continuarao-apos-a-covid-19.html

https://revistapegn.globo.com/apoie-o-negocio-local/noticia/2020/05/no-pos-coronavirus-varejo-brasileiro-pode-nao-seguir-o-mesmo-caminho-de-outros-paises.html

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