Varejo do mundo da moda: como sobreviverá?

Oh God... o que fazer no mundo da moda pós pandemia?

A pandemia causada pelo novo Coronavírus levou ao fechamento do comércio de vários setores em diversos países pelo mundo... Isso aconteceu devido ao distanciamento e isolamento sociais, propostos como medida de contenção da disseminação do vírus - como todos nós bem sabemos, não é mesmo? As pessoas estão ficando mais em casa e saindo apenas em caso de necessidade, como para comprar medicamentos e alimentos. Saudades das comprinhas, né, minha filha? ;)

Neste contexto, diferentes tipos de negócios foram afetados, e as indústrias mais impactadas no curto prazo são aquelas que envolvem um contato humano, como alimentação e entretenimento fora de casa, viagens, salão de beleza e ginástica. Os bens menos essenciais também foram impactados negativamente, entre eles se destacam os da moda e os cosméticos. E a saudade das “brusinhas” só aumenta…

Com a prorrogação da quarentena, as pessoas começam a estabilizar seus hábitos de consumo, com uma queda significativa por conta do aumento do desemprego e redução da renda. O comércio eletrônico e delivery, em geral, tendem a seguir com algum crescimento, então fica ligado que, em tempos de isolamento social, o digital reina! Já o mercado da moda apresenta uma grande queda, pois com o agravamento da situação sanitária e a crise econômica, os consumidores tendem a focar seus gastos em bens essenciais - afinal, não dá pra passar fome e o medo do desemprego é constante! Bora economizar onde dá, né?!

Outro motivo que provocou essa queda no mercado da moda foi o fechamento do comércio e de shoppings centers. Isso causou uma perda do apelo de compra, diminuindo as vendas, já que a circulação de clientes deixa de existir, tal como a energia de compra e de consumo. Esse cenário é ainda mais preocupante ao pensar que as marcas têm que arcar com custos de aluguel e manutenção de lojas - sendo que o maior impacto de custo é o próprio aluguel e a compra de insumos, representando quase 50% ou mais dos gastos totais das marcas!!!

Com base na pesquisa “O Impacto do Coronavírus nos Pequenos Negócios”, realizada pelo Sebrae com mais de 6 mil empresários, e em pesquisas de mercado, desde o início do surto, o varejo brasileiro já apresenta uma queda de 29% no faturamento. E, entre 26 e 28 de abril, a queda foi de 39% :o

No varejo de moda, entre os dias 26 e 28 de abril, a queda, em relação a uma semana normal, foi de 80%. E, segundo o relatório da McKinsey, se a quarentena durar entre dois e três meses, mais de 80% dos negócios do segmento devem passar por dificuldades financeiras. Gente… :/

Você deve estar se perguntando “mas por que a indústria da moda foi tão mais afetada?” É importante lembrar que os efeitos da crise chegaram à indústria da moda já no começo de 2020, quando o vírus se concentrava basicamente na China e arredores, porque além de boa parte produtiva estar na China (56% da produção mundial de vestuário), o país também é um grande consumidor mundial. Made in China, people!!!

Com a queda produtiva brutal do país, os varejistas enfrentam dois desafios: novas rotas de fornecimento e gerenciamento dos estoques atuais, ainda sem uma solução estabelecida. E o pior: sem previsão!

Para o varejo fashion, o desabastecimento é ainda mais problemático, visto que as coleções são vendidas em temporadas. Se o tempo passou, passou… não tem mais o que fazer, a não ser pensar na próxima estação! E aí temos outro desafio: qual será a tendência? Se os desfiles não acontecem e os grandes eventos do mundo cinematográfico são cancelados, como será a identificação de tendências? E outro ponto ainda: são milhares - sim, milhares - de pessoas envolvidas nos lançamentos, prêmios, desfiles, e tudo o mais! O que acontece com elas? Como ficam todas as envolvidas na cadeia produtiva? Tem gente - muita gente - que faz o ano em um “simples” evento como o MET Gala!

E agora??

Criatividade é a palavra-chave para este momento. A fim de minimizar os impactos financeiros da crise, os varejistas abusam da criatividade para reinventar os negócios, seja com vendas online, seja com novos produtos ou serviços.

Neste contexto de crise, a dica é explorar o delivery como uma extensão de sua loja física. Muitos varejistas têm recorrido aos marketplaces para fazerem suas vendas online, sendo uma boa opção de canal de vendas pela internet, principalmente para quem ainda não tinha um e-commerce estruturado (vale um comentário minimamente maldoso aqui: quem ainda não tinha e-commerce já estava atrasado, viu? A necessidade da loja online não surgiu com o COVID-19).

Alternativas

Você já recebeu uma “malinha” em casa? Essa estratégia de marketing já é usada faz um tempo, mas com a pandemia, acabou se intensificando. A malinha é literalmente uma mala com produtos enviada para a casa dos clientes. É uma ótima alternativa, já que com o isolamento social, as lojas estão fechadas e muitas pessoas pensam duas vezes antes de fazer uma compra online sem a possibilidade de experimentar o produto.

Assim, com a malinha, os clientes podem vestir as peças, combiná-las com os itens que já possui e, ainda, pedir a opinião das pessoas com quem convive! ;) Isso traz mais conforto e confiança, produzindo uma venda maior e fidelidade por parte dos consumidores.

E, para um tratamento diferenciado, vendas consultivas por meio de WhatsApp e vídeochamadas também são muito bem vistas! Com isso, temos a identificação de uma tendência: carinho!

As pessoas estão se sentindo sós, em busca de proximidade e cuidado. As marcas que dedicarem seu tempo para atender cada cliente como se ele fosse único e especial de fato se sobressaltarão. Um simples bilhete na embalagem da entrega, uma mensagem nominal, um cupom de desconto especial… Aí gritamos pela criatividade novamente! Mas o essencial é entender que isso é uma tendência!

Tendência não é moda. Não vai passar. Quanto antes você se adaptar a este movimento, antes você fará parte dele, e antes você conquistará clientes que te virão como “à frente”, “especial”, “único”. Corre!!! Não vai demorar tanto até que todo mundo comece a dar a atenção que o cliente, de fato, merece.

E, por fim, mantenha a comunicação e o contato com os clientes pelos canais digitais para ser lembrado. Use as redes sociais para se aproximar do seu público e produza um conteúdo de utilidade atemporal, criando oportunidades para além da crise.

Converse com o seu público!

Fonte:

https://canaltech.com.br/mercado/covid-19-como-fica-o-varejo-162067/

https://bibliotecas.sebrae.com.br/chronus/ARQUIVOS_CHRONUS/bds/bds.nsf/c4b53fae22d3a8242c58bf17ef281c01/$File/19476.pdf

https://guiajeanswear.com.br/noticias/impactos-do-covid-19-no-varejo-mundial-e-a-busca-pela-reinvencao/

https://sebraeseunegocio.com.br/artigo/os-impactos-da-pandemia-no-varejo-de-moda/

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